Viagem no tempo

Dayse Dantas

Dayse Dantas

Certo dia, um pessoal da minha turma decidiu ir embora depois do quinto horário. O plano era perfeito, já que outras turmas estariam indo embora nessa hora, seria fácil de nos camuflar. Infelizmente, nossa ambição foi…

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…a nossa ruína. Eu e mais uns cinco alunos decidimos seguir à direita em vez de virar à esquerda, onde a escada estava. A gente virou à direita porque no fim do corredor ficava o elevador das freiras. Esse elevador era algo exótico e fora de nosso alcance. NÓS PRECISÁVAMOS CONHECER OU MORRER TENTANDO. E de certa forma, morremos tentando. Uma professora percebeu seis alunos de mochila andando na contramão no corredor e apareceu na porta do elevador para nos impedir. Não tinha nada que pudéssemos fazer. Caminhamos, envergonhados, o longo caminho entre o elevador e a nossa sala. Nenhum dos alunos assistindo nossa ruína estava rindo. Eles entendiam. Estávamos todos no mesmo barco. Se nós éramos o Titanic, o sexto horário era o iceberg. Enfim, até hoje eu me arrependo daquela decisão idiota de pegar o elevador em vez das escadas. Então, se eu pudesse mudar uma coisa, eu viraria à esquerda naquele dia fatídico. Imagine as coisas que meus amigos e eu faríamos naqueles cinquenta minutos que teríamos de liberdade. Pode parecer pouco, mas a gente sabia que cinquenta minutos era o tempo exato de uma Grande Façanha.  
Babi Dewet

Babi Dewet

Será que algum Doctor ou Viajante do Tempo pode ler minha mensagem aqui no blog e me levar junto? Há muito tempo venho pensando nisso, colocando mensagens na varanda de casa e fazendo sinais luminosos com o celular…

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…pela janela. Me disseram que adianta, mas não vi resultados ainda. Sei que não seria nada fácil voltar no tempo e mudar algo na minha vida, apesar de ter certeza de que eu sempre fui uma pessoa tranquila e fácil de convencer e não duvidaria de mim mesma vinda do futuro. Acho que eu ficaria feliz, na real, porque hoje posso pintar o cabelo e fazer tatuagens. Mas se eu pudesse, aqui seria onde a coisa toda tomaria um rumo diferente: dia 2 de dezembro de 1997. Eu tinha 10 anos e pensava em três coisas na vida – no Fabinho, garoto totalmente gatinho do meu colégio, nos Hanson e que eu precisava começar a decidir o que iria fazer quando crescesse. Não faço ideia do porque já perguntarem coisas assim quando somos muito novos, mas o fato é que nesse dia tomei uma decisão que tenho certeza que hoje é o motivo de eu não ser um sucesso do American Idol (gosto de pensar assim), ou qualquer programa desse tipo. De fato, eu seria uma celebridade como a Demi Lovato ou Selena Gomez (não tipo a Miley, ainda), se não tivesse desistido da aula de canto (eu não tinha talento), de violão (não consigo decorar acordes) e decidido, de alguma forma, ser paleontóloga. No fim, eu não estudo dinossauros para viver e acabei escrevendo livros sobre pessoas que tem real talento musical (algumas nem precisaram fazer aulas!). Não que esteja reclamando, eu amo o que faço, mas eu seria uma ÓTIMA líder de banda de rock. Só soltando pro Universo essa mensagem. EU ARRASARIA. Enquanto isso, aqui escrevendo livros, eu sei que a vida às vezes nos dá novas chances e é como voltar no tempo, você só tem que avaliar o que precisa fazer para ser melhor e apertar o botão, certo?   

Barbara Morais

Barbara Morais

Eu gosto de pensar que tudo o que eu vivi, bom ou ruim, me trouxe até aqui e me fez ser quem eu sou. Não fico pensando no passado e considerando como eu mudaria, ou me arrependendo do que eu fiz. Mas com frequência me pego pensando…

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…o que teria acontecido se eu não tivesse escolhido cursar Engenharia Elétrica na faculdade. Se eu tivesse escolhido alguma das minhas outras opções, onde eu estaria agora? Será que eu teria trocado de curso? Será que teria escrito e publicado um livro? Será que eu já teria me formado e estaria trabalhando em algo que gosto? Então eu mudaria o dia em que coloquei Engenharia Elétrica como opção do vestibular – e se pudesse trapacear só um pouquinho, colocaria Economia, que é meu curso atual e que nem sequer era opção quando eu tinha 17 anos. @BARBARAESCREVE 
Leila Rego

Leila Rego

Se eu pudesse voltar no tempo e mudar um dia do meu passado, voltaria ao ano de 1999. Dia da minha formatura. Foi um dia feliz e de comemorações, mas nem todos que eu gostaria que estivessem ali puderam comparecer…

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Neste dia, eu daria um jeito para que todos estivessem comigo, comemorando minha conquista e a nossa amizade. Queria voltar neste dia para deixar o orgulho que eu sentia de lado e agradecer a pessoas que, de uma forma ou de outra, me ajudaram ao longo dos anos. Também para pedir desculpas a amigos e deixar algumas brigas infantis de lado. Abraçaria todos com carinho e alegria. Mais de uma vez. Algumas dessas pessoas já partiram, e não tive oportunidade de agradecer ou de abraçar de uma forma mais intensa. Esse seria o dia perfeito. Infelizmente, perdi a oportunidade. Faço agora em pensamento e oração.
Otávio Albuquerque

Otávio Albuquerque

Hoje olho para trás e vejo quanto meu pai foi importante para mim. Ainda assim por desencontros da vida, acabamos nunca nos dando lá muito bem. No começo de 2003, acabamos tendo uma discussão mais feia e…

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…parei de atender suas ligações. Lembro da última vez que ele me ligou, e eu não atendi. Duas semanas depois, ele morreu. Gostaria muito de poder voltar no tempo e atender aquela ligação. Dizem que ele queria me pedir desculpa. Bom, pai… desculpa eu. @TAVIAO 
Karol Pinheiro

Karol Pinheiro

Às vezes, antes de dormir, me imagino entrando numa máquina enorme cheia de luzinhas que me leva de volta para aquele fatídico 25 de Outubro de 2003. Meu cabelo ainda era maior do que eu consigo me lembrar e…

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…parte do meu corpo tremia quase como se um terremoto estivesse dentro de mim. Eu tinha 16 anos e não fazia ideia do que era estar tão perto de um garoto a ponto de sentir a pontinha do nariz dele encostar na pontinha do meu nariz. Mas aconteceu, pertinho da quadra de esportes do colégio, eu e ele nos beijamos. Do alto de uma escadaria gigante, que se tivesse cada um de seus degraus somados, ainda assim, não teria o tamanho do meu nervosismo, nós nos beijamos. Durou 10 segundos: 1. fecha os olhos. 2. abre a boca. 3. abre um pouquinho menos a boca 4. lembra de colocar as mãos na altura dos ombros dele. 5. Língua pra fora. 6. Língua pra dentro. No sétimo segundo eu me despedi. No oitavo, eu já não era mais a única garota da sala de aula que nunca tinha beijado. No nono, entendi que uma primeira vez, nunca é a melhor vez. No décimo, sorri sozinha por me imaginar hoje, mais velha, assistindo aquela cena depois de entrar numa máquina do tempo e achando graça de tudo. Naquele dia, entendi que nenhum tempo pode ser esquecido ou transformado quando já está eternizado na nossa própria história. @KarolPinheiro  
Caíque Nogueira

Caíque Nogueira

É uma pergunta que me faz ficar pensando e pensando e pensando… Voltar no passado e mudar algo, significa abrir mão de alguma coisa que temos dentro da gente no presente, certo? Só que eu sou tão apegado a cada experiência…

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…que tive, apesar de boa ou ruim, que é difícil deixar pra trás e fazer diferente. Tudo que vivi já faz parte de mim. Mas lá no fundo, vem na cabeça o fato de eu ter escolhido priorizar uma segunda opção em certa altura da vida. Vou explicar: desde pequeno minha veia artística grita mais do que qualquer coisa. Só que essa vida de artista é tão complicada… Haja paixão. Foquei nela durante muitos anos e do nada, pelos meus pais e obviamente por mim, decidi usar meu gosto por entretenimento e escrita, fazer uma faculdade de Jornalismo e trazer a segurança do “Plano B”. Não que eu tenha deixado de lado o “Plano A”. Sempre estudei teatro, cinema, canto, dublagem e as emoções. Fazendo cursos e conhecendo pessoas pelo mundo. Mas em algumas fases da vida, você precisa priorizar escolhas. Nem que seja por tempo determinado. Só assim ela será bem executada. As vezes nos momentos em que estou vivendo o meu “Plano B”, me sinto no lugar errado, perdendo tempo, gastando anos da minha vida correndo atrás de algo que não quero. Mas é aí que eu volto ao meu discurso inicial: A vida é boa demais, a gente tem tempo pra fazer tudo o que tivermos vontade e toda experiência é válida. Tudo traz um aprendizado e te faz evoluir. Então apesar de as veeeezes bater aquele sentimento de “eu queria voltar atrás e focar na minha primeira opção até dar certo”, eu respiro fundo e me conforto sabendo que ainda tem um tempão aí pela frente e que tudo acontece na hora e maneira que tem que ser. Quer saber? Eu não mudaria nada. Nem aquele dia em que eu comi uma carne estragada e passei muito mal. A gente aprende até assim.