Dayse Dantas

Certo dia, um pessoal da minha turma decidiu ir embora depois do quinto horário. O plano era perfeito, já que outras turmas estariam indo embora nessa hora, seria fácil de nos camuflar. Infelizmente, nossa ambição foi…

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…a nossa ruína. Eu e mais uns cinco alunos decidimos seguir à direita em vez de virar à esquerda, onde a escada estava. A gente virou à direita porque no fim do corredor ficava o elevador das freiras. Esse elevador era algo exótico e fora de nosso alcance. NÓS PRECISÁVAMOS CONHECER OU MORRER TENTANDO. E de certa forma, morremos tentando. Uma professora percebeu seis alunos de mochila andando na contramão no corredor e apareceu na porta do elevador para nos impedir. Não tinha nada que pudéssemos fazer. Caminhamos, envergonhados, o longo caminho entre o elevador e a nossa sala. Nenhum dos alunos assistindo nossa ruína estava rindo. Eles entendiam. Estávamos todos no mesmo barco. Se nós éramos o Titanic, o sexto horário era o iceberg. Enfim, até hoje eu me arrependo daquela decisão idiota de pegar o elevador em vez das escadas. Então, se eu pudesse mudar uma coisa, eu viraria à esquerda naquele dia fatídico. Imagine as coisas que meus amigos e eu faríamos naqueles cinquenta minutos que teríamos de liberdade. Pode parecer pouco, mas a gente sabia que cinquenta minutos era o tempo exato de uma Grande Façanha.