Karol Pinheiro

Às vezes, antes de dormir, me imagino entrando numa máquina enorme cheia de luzinhas que me leva de volta para aquele fatídico 25 de Outubro de 2003. Meu cabelo ainda era maior do que eu consigo me lembrar e…

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…parte do meu corpo tremia quase como se um terremoto estivesse dentro de mim. Eu tinha 16 anos e não fazia ideia do que era estar tão perto de um garoto a ponto de sentir a pontinha do nariz dele encostar na pontinha do meu nariz. Mas aconteceu, pertinho da quadra de esportes do colégio, eu e ele nos beijamos. Do alto de uma escadaria gigante, que se tivesse cada um de seus degraus somados, ainda assim, não teria o tamanho do meu nervosismo, nós nos beijamos. Durou 10 segundos: 1. fecha os olhos. 2. abre a boca. 3. abre um pouquinho menos a boca 4. lembra de colocar as mãos na altura dos ombros dele. 5. Língua pra fora. 6. Língua pra dentro. No sétimo segundo eu me despedi. No oitavo, eu já não era mais a única garota da sala de aula que nunca tinha beijado. No nono, entendi que uma primeira vez, nunca é a melhor vez. No décimo, sorri sozinha por me imaginar hoje, mais velha, assistindo aquela cena depois de entrar numa máquina do tempo e achando graça de tudo. Naquele dia, entendi que nenhum tempo pode ser esquecido ou transformado quando já está eternizado na nossa própria história. @KarolPinheiro